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Expansão da Copa do Mundo Feminina: como o torneio cresceu em 30 anos

Em resumo

  • A Copa do Mundo Feminina cresceu de 12 seleções em 1991 para 32 em 2023, refletindo a profissionalização do futebol feminino.
  • O Brasil participou desde a primeira edição em 1991, com Marta consolidando-se como lenda histórica do torneio.
  • A Espanha venceu sua primeira Copa do Mundo Feminina em 2023, enquanto a Fifa confirmou que o formato de 32 times continuará em 2027 e 2031.
  • A expansão permitiu maior diversidade geográfica, incluindo pela primeira vez seleções de Marrocos, Vietnã e Irã em 2023.

Quando a Fifa realizou a primeira Copa do Mundo Feminina em 1991 nos Estados Unidos, ninguém esperava que o torneio se tornaria um dos maiores eventos do esporte. O formato inicial com apenas 12 seleções participantes refletia o tamanho modesto, mas ambicioso, do futebol feminino daquela época. Três décadas depois, a competição explodiu em escala: 32 times, 64 partidas e transmissão global. Essa transformação não foi acidental — foi o resultado de demanda crescente, argumentos econômicos fortes e pressão de confederações de países antes excluídos do torneio.

Os primeiros torneios: quando o futebol feminino era nicho (1991–1995)

A Copa do Mundo Feminina de 1991 contou com apenas 12 seleções divididas em dois grupos de seis times. O torneio foi sediado nos Estados Unidos e as partidas aconteceram em estádios de futebol americano, reflexo do pouco interesse das grandes arenas naquele momento. Os EUA venceram o torneio ao derrotar a Noruega na final, com Mia Hamm como uma das figuras centrais — jogadora que definiria a carreira de campeã do mundo e lenda do futebol feminino.

Em 1995, a Copa voltou para a Suécia com o mesmo formato: 12 seleções, dois grupos de seis. Dessa vez, a Noruega conquistou seu único título mundial, vencendo a Alemanha na final. O Brasil já participava desde 1991, marcando presença constante nos primeiros anos do torneio, embora sem galgar os degraus mais altos do pódio nessa fase inicial.

O formato reduzido dos anos 1990 significava que muitos países sequer tinham chance de participar. Confederações menores, seleções em desenvolvimento e nações do continente africano ficavam de fora. A falta de representatividade era evidente, mas a Fifa ainda não via a expansão como prioridade — afinal, transmissões televisivas eram limitadas, patrocínios escassos e os estádios raramente lotavam.

Primeiro grande salto: 16 times dividem o palco (1999–2011)

A edição de 1999 nos EUA marcou uma ruptura. A Fifa expandiu o torneio para 16 seleções organizadas em quatro grupos de quatro times. Essa mudança coincidiu com um aumento dramático no interesse do público — o estádio de Rose Bowl, em Pasadena, registrou público de aproximadamente 90 mil espectadores na final entre EUA e China, um recorde que permaneceu por 20 anos.

O modelo de 16 times e sua estabilidade

De 1999 a 2011, o formato de 16 seleções se manteve estável. A Fifa testava o terreno, compreendendo que aumentar simultaneamente o número de times e de grupos poderia desorganizar a competição. Quatro grupos de quatro times oferecia equilíbrio: cada seleção jogava três partidas na fase de grupos, resultado previsível, e os dois melhores times de cada grupo avançavam aos quatro semifinais.

Nesse período, o futebol feminino ganhou força no Brasil. Marta emergiu como superestrela do futebol nacional, tendo sido eleita melhor jogadora do mundo seis vezes entre 2006 e 2011. A seleção brasileira chegou à final da Copa de 2007, perdendo para a Alemanha em um jogo tenso que consolidou a competição como evento de relevância global. O torneio de 2011 foi conquistado pelo Japão em um feito histórico, derrotando os EUA na final em um jogo memorável.

Crescimento de infraestrutura e transmissão

O formato estável de 16 times permitiu que confederações planejassem melhor suas participações. Países como Suécia, Noruega, Canadá e Austrália consolidaram suas presenças, desenvolvendo programas de longo prazo com estrutura profissional. A transmissão de partidas em canais abertos começou em países europeus e na América do Norte, atraindo patrocinadores nacionais e internacionais.

Black and white portrait of a football fan with the Argentinian flag indoors.

Expansão para 24 times: mais continentes, mais vozes (2015–2019)

A decisão de expandir para 24 seleções em 2015 foi controversial, mas necessária. A Fifa reconheceu que o futebol feminino havia crescido além das fronteiras tradicionais — confederações africanas, asiáticas e da Oceania possuíam seleções competentes que mereciam participação. O novo formato dividiu 24 times em três grupos de oito, mantendo os mesmos critérios de avanço (dois melhores de cada grupo mais os dois melhores terceiros).

A expansão teve um efeito colateral: grupos maiores tornavam as últimas rodadas impreviséis, com times com destinos já selados ainda em campo. Ainda assim, a participação de nações como Escócia, Irlanda do Norte e a maioria dos países africanos regularizou-se, trazendo maior diversidade e competitividade. A Austrália, por exemplo, sob liderança de Sam Kerr, começou a demonstrar que poderia competir com as grandes potências.

Nos EUA, campeões em 2015 e 2019, equipes com jogadoras icônicas como Megan Rapinoe e Alex Morgan trouxeram atenção mediática sem precedentes. O Brasil não conquistou títulos nesse período, mas manteve-se entre as oito melhores seleções, refletindo a força consolidada do futebol feminino brasileiro.

O formato de 32 times: Copa do Mundo Feminina 2023 na Austrália

A decisão de expandir para 32 seleções em 2023 igualou a Copa do Mundo Feminina ao formato clássico masculino. Oito grupos de quatro times resultaram em 64 partidas — o mesmo número do torneio masculino. Pela primeira vez, confederações de dezenas de países receberam convites para participar, entre elas nações nunca antes presentes em uma Copa do Mundo, como Marrocos, Vietnã e Irã.

A Espanha conquistou seu primeiro título, derrotando a Inglaterra na final com um futebol coletivo refinado. A seleção espanhola sob comando técnico de Jorge Vilda beneficiou-se da expansão, que permitiu uma trajetória mais tranquila e previsível até a final. Jogadoras como Alexia Putellas, do Barcelona, reforçaram o prestígio do torneio feminino ao se tornarem nomes reconhecidos globalmente.

O Brasil não conquistou o título — um depoimento da dificuldade em acompanhar o investimento de potências tradicionais — mas permanece entre as seleções mais respeitadas, consolidando Marta como lenda histórica do torneio. A expansão para 32 times reafirmou a Copa do Mundo Feminina como evento de audiência massiva, com partidas transmitidas em canais abertos em dezenas de países.

Impacto da expansão no desenvolvimento do futebol feminino

Oportunidades para confederações menores

A trajetória de crescimento do formato teve efeitos cascata em todo o esporte. Confederações menores e federações nacionais de países com pouco histórico em futebol feminino foram incentivadas a investir em seleções e competições domésticas. Ligas profissionais emergiram em países que antes enxergavam o futebol feminino como amador.

Profissionalização do futebol feminino brasileiro

O Brasil consolidou o Campeonato Brasileiro Feminino como competição de alto nível, com times como Corinthians, Palmeiras e Ferroviária compondo um quadro competitivo robusto. Jogadoras brasileiras passaram a contar com oportunidades de carreira no futebol feminino europeu em quantidade nunca antes vista, atraídas por ligas mais profissionalizadas e bem remuneradas. A visibilidade conquistada pela seleção nacional abriu portas para atletas que hoje disputam as principais competições do continente europeu.

A maior participação também elevou os padrões técnicos e táticos. Times que entravam como participantes em edições anteriores agora se preparavam com profissionalismo, contratando comissões técnicas, analistas de desempenho e nutricionistas. Confederações africanas, em particular, viram crescimento substancial em investimentos após 2023.

Estrutura para futuras edições e expectativas de crescimento

A manutenção do formato de 32 times foi confirmada pela Fifa para as Copas Femininas de 2027 (Brasil) e 2031. A escolha de sediar o torneio no Brasil em 2027 reflete o reconhecimento da força do futebol feminino sul-americano — não apenas em performance, mas em potencial de público e transmissão. Expectativas de estádios lotados nas principais cidades brasileiras alimentam discussões sobre expansão de infraestrutura e investimento federativo.

Discussões sobre expansões futuras — para 36 ou até 40 times — circulam entre confederações menores que ainda almejam participação. A Fifa, porém, parece estabilizada em 32 times por enquanto, argumentando que o formato oferece equilíbrio entre inclusão e qualidade competitiva. O que é certo é que a Copa do Mundo Feminina, de torneio restrito e desvalorizado nos anos 1990, consolidou-se como evento global de primeira magnitude, com expansão de formato que espelha esse reconhecimento tardio, mas finalmente concedido, pela Fifa e pela comunidade do esporte.

Perguntas frequentes

Quantas seleções participam da Copa do Mundo Feminina atual?

Desde 2023, 32 seleções participam da Copa do Mundo Feminina, organizadas em oito grupos de quatro times. Esse formato foi mantido para 2027 no Brasil e 2031.

Qual país conquistou mais títulos na Copa do Mundo Feminina?

Os Estados Unidos conquistaram quatro títulos (1991, 1999, 2015 e 2019), sendo a seleção mais bem-sucedida da história da competição.

Quando o Brasil chegou mais perto de vencer a Copa do Mundo Feminina?

O Brasil chegou à final em 2007, perdendo para a Alemanha. Desde então, a seleção não conquistou o título, embora permaneça entre as melhores do mundo.

Written by
Isabela Marreiros

Isabela Marreiros cobre a Copa do Mundo Feminina e grandes torneios internacionais, com análise tática e histórica das principais seleções do planeta. Já viajou para acompanhar mundiais e olimpíadas de perto.