Em resumo
- Geyse quase desistiu do futebol após morte do irmão Geovanne em janeiro de 2025, mas encontrou suporte na psicologia e na família para reconstruir a carreira.
- Atacante deixou Manchester United em definitivo e se reencontrou no América (México), marcando 16 gols em 10 jogos na temporada 2026/27.
- Convocada novamente pela seleção após dois anos longe, Geyse disputa vaga na Copa do Mundo de 2027 nos amistosos contra Argentina.
Por trás da risada tímida que marca as entrevistas de Geyse existe um percurso marcado por turbulência emocional que a atacante da seleção brasileira viveu ao longo de 2025. Poucas pessoas conseguem antecipar pela sua expressão o que ela passou desde janeiro do ano passado, quando uma mensagem do melhor amigo trouxe a notícia que mudaria sua vida: seu irmão Geovanne Ferreira, o maior fã de seus gols e companheiro de conversas sobre futebol, havia falecido em um acidente de carro em Alagoas.
Depressão e o ponto de virada
De acordo com ge > futebol feminino, a morte de Geovanne deixou a atacante em estado de choque. Geyse desembarcou em casa para estar com sua mãe e enfrentar a destruição que o luto havia provocado na família. Aqueles dez dias em casa foram dolorosos, porém permitiram que ela reconhecesse a necessidade de ajuda profissional para lidar com o que estava por vir. Na sequência, Geyse caiu em depressão profunda que duraria meses, esvaziando o sentido do futebol em sua vida. Ela recusou voltar ao seu clube europeu, rejeitou propostas de times brasileiros e deixou claro que algo fundamental havia mudado em seu relacionamento com o esporte que amava.
Manchester United e a esperança perdida
A primeira tentativa de continuar foi no Manchester United. Geyse estava no clube quando recebeu a notícia e tinha expectativa de que retornaria assim que possível. Mas algo havia mudado dentro dela: a atacante já não via sentido em voltar à rotina de treinamentos e partidas. Quando surgiu a oportunidade de ir para o Gotham FC como emprestada, ela aceitou na esperança de que um ambiente novo pudesse restaurar sua conexão com o futebol.
A temporada perdida no Gotham
Não funcionou. O Gotham conquistou o campeonato com Geyse na equipe, mas a atacante não conseguiu desfrutar do sucesso. Ela mantinha-se cabisbaixa, carregando a depressão em cada movimento dentro de campo. Após o término do empréstimo, uma conversa consigo mesma se tornou inevitável: não queria mais retornar ao Manchester United, o clube onde ela havia sido apresentada ao mundo profissional agora representava um período escuro demais para revisitar. A fase de dois meses após o Gotham foi crítica: Geyse chegou a afirmar que não queria mais jogar futebol, que desejava deixar o esporte definitivamente.

A mudança para o México
Quando a proposta do Palmeiras chegou, Geyse recusou. A ideia de ficar no Brasil a manteria perto da família, mas ela reconhecia que não era o momento certo. Continuava em depressão severa e sabia que precisava de uma mudança mais radical. A resposta veio do América, do México. Assim, em janeiro de 2026, exatamente um ano após a morte de Geovanne, Geyse deixou definitivamente o Manchester United rumo ao México.
A escolha pelo México carregava lógica: distância suficiente para repensar tudo, mas ainda em um contexto de futebol profissional onde ela pudesse reconstruir sua autoconfiança. Companheiras e estafe do América abraçaram a atacante quando souberam de sua história, criando um ambiente de acolhimento que se complementaria com o acompanhamento psicológico contínuo.
Psicologia como alicerce
Recuperação através de números
No México, Geyse começou a desfrutar de futebol novamente. Os primeiros seis meses no América trouxeram 11 gols em 18 partidas, números que sinalizavam seu retorno à forma. Mais relevante era o estado emocional: ela começava a sorrir de novo dentro de campo.
A temporada 2026/27 confirmou a trajetória ascendente. Geyse entrou no ano com ainda mais força, acumulando 16 gols e duas assistências em apenas dez jogos. Seu desempenho não passou despercebido na seleção brasileira, onde após dois anos ausente, ela foi chamada novamente em junho de 2026.
A continuidade do acompanhamento
Geyse mantém o acompanhamento psicológico até hoje. Ela reconhece que às vezes a saudade do irmão volta com força quando vê suas fotos, mas canaliza aquele sentimento para o futebol. Jogar deixou de ser uma obrigação e se tornou um tributo a Geovanne, uma forma de honrar sua memória. De acordo com ge > futebol feminino, a atacante resumiu o novo significado: “Continuo a jogar pela minha família e por ele, que é o mais importante”.
De volta à seleção brasileira
A convocação em junho representou muito mais que uma chamada técnica. Significava que Arthur Elias tinha depositado confiança em sua recuperação emocional e em seu potencial dentro de campo. Mantida na lista para os amistosos de outubro, Geyse agora disputa vaga na Copa do Mundo de 2027 contra a Argentina.
A seleção brasileira enfrenta as argentinas em dois jogos: no sábado em Porto Alegre, no Beira-Rio, e na terça-feira em Recife, na Arena de Pernambuco. Esses confrontos funcionam como testes críticos para Arthur Elias, que procura definir o elenco para o Mundial que o Brasil sediará em 2027. Para Geyse, especialmente, os amistosos carregam peso emocional que transcende a competição.
O reencontro em casa
O jogo em Recife é especial: Geyse é natural de Maragogi, em Alagoas, e sua família reuniu esforços para comparecer. Entre sete filhos de sobrinhos, cinco irmãos, tios, tias, amigos e membros da família de um colega que a acompanha no México, aproximadamente 80 pessoas estarão na Arena de Pernambuco. A própria atacante brincou sobre a quantidade ao dizer que precisaria de muitos ingressos para que todos conseguissem acompanhá-la.
O que para muitos seria simplesmente uma grande festa de torcida, para Geyse representa algo muito mais profundo: a oportunidade de voltar para casa em um momento de fortaleza, cercada por aqueles que a ajudaram a reconstruir sua vida dentro e fora do futebol. Depois de um ano marcado por luto, depressão e tentativas de abandonar tudo, retornar diante de sua família na condição de atleta recuperada fecha um ciclo que parecia impossível quando Geovanne faleceu há pouco menos de dois anos.
Fonte: ge > futebol feminino
Perguntas frequentes
O que levou Geyse a quase desistir do futebol?
A morte de seu irmão Geovanne em acidente de carro em Alagoas, em janeiro de 2025, causou depressão severa que fez a atacante perder o entusiasmo pelo esporte por mais de um ano.
Por que Geyse deixou o Manchester United?
Após o empréstimo ao Gotham FC, Geyse deixou o Manchester United em janeiro de 2026 porque não queria retornar ao clube onde se sentia em depressão. Recusou também proposta do Palmeiras e optou pelo América, do México, para estar mais próxima de sua rede de suporte.
Quando Geyse foi convocada novamente para a seleção?
Geyse foi convocada em junho de 2026, após dois anos fora da seleção, e mantém-se na lista para amistosos de outubro contra a Argentina em Porto Alegre e Recife.