Em resumo
- Yanne defendeu um pênalti nas quartas contra o Palmeiras e levou o Bahia à sua primeira semifinal do Brasileiro Feminino.
- O clube treinou 2.632 penalidades em 2026, com preparação específica para cada cobradora conforme análise de adversárias.
- Natural de Conceição do Coité e Olindina no interior da Bahia, Yanne sonha em disputar uma Copa do Mundo pela Seleção principal.
- Goleira desde 2024 pelo Bahia, Yanne integrou a Copa do Mundo Sub-20 em 2022 e conquistou o Sul-Americano naquele ano.
Yanne chega à sua primeira semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino com responsabilidades crescentes. A goleira do Bahia, aos 22 anos, impressionou nas quartas de final contra o Palmeiras, onde o time conquistou a vaga com vitória nos pênaltis. Na disputa por pontos, ela pegou uma cobrança e reafirmou uma especialidade que a acompanha há tempos.
O técnico Felipe Freitas não economizou confiança. Antes da série de pênaltis contra o Palmeiras, discurso acalorado ressoou nos ouvidos da equipe. Yanne sentiu o peso daquela mensagem. “Na hora que assisti ao vídeo dele falando eu pensei: ‘Caramba, acho que ele confia mesmo em mim’. Não que eu não soubesse disso, ele me passa confiança todos os dias, mas é importante quando você tem alguém que confia tanto em você”, contou ao Globoesporte.
O jogo de ida da semifinal acontece nesta terça-feira, às 21h30, contra o Corinthians, maior campeão da competição, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador.
O histórico de defesas
O trabalho de Yanne nas cobranças não é recente. Na final da Ladies Cup de 2024, ela defendeu três pênaltis durante o confronto contra o Grêmio. Meses depois, nas quartas de final da Copa do Brasil feminina de 2025, novamente diante do Bragantino, voltou a somar defesas que ajudaram a equipe a avançar.
Agora, na semifinal do Brasileiro Feminino, a pressão e a confiança depositada na goleira do Bahia atingem outro patamar. O clube busca história em uma competição onde nunca chegou tão longe.
Treino específico e análise tática
Números que revelam dedicação
O Bahia treinou 2.632 penalidades somente em 2026, segundo dados do próprio clube. André Cainã, preparador de goleiras da equipe, detalha como funciona essa rotina.
O trabalho não segue fórmulas prontas. A equipe analisa as adversárias, filtra padrões de batidas, identifica gatilhos específicos para cada cobradora. “Nunca é uma ideia muito fechada. Não vou falar para a Yanne o que ela tem que fazer. É muito da leitura dela”, explica André Cainã.
Personalização do treinamento
Cada goleira do elenco recebe abordagem diferenciada. A forma como André trabalha com Yanne não é a mesma para Júlia ou Mari. “Cada uma responde de uma forma”, completa o preparador. Ele busca trabalhar de forma específica, fragmentando as ações do adversário a partir do jogo real e construindo o treino a partir desses dados.
A leitura pessoal
Yanne guarda segredo sobre sua preparação. Não revela a tática completa, mas deixa claro que o trabalho vai além do que pode ser ensinado em campo.
“Eu não vou passar meu ouro, minha tática. Mas é muito estudo meu, de leitura minha. Até como eu falo, eu acho que o pênalti também não é só sobre o meu adversário, é também sobre mim, sobre a goleira Yanne. Então, eu busco tentar pensar como elas, eu busco tentar fazer a melhor leitura possível, eu busco ter a maior tranquilidade possível”, detalha a goleira.
Nessa preparação, a confiança do técnico Felipe Freitas funciona como combustível. Quando ele discursa com segurança antes da disputa, a mensagem chegou clara: o Bahia apostava nela não por falta de opções, mas por convicção.
Do interior da Bahia à Fonte Nova
Trajetória fora do convencional
Natural de Salvador, Yanne cresceu no interior do estado, entre as cidades de Conceição do Coité e Olindina. Sua infância foi marcada por esportes múltiplos. Passou por vôlei, basquete, handebol, natação e judô. Começou como zagueira nas primeiras experiências com bola.
“Eu passei por muitos esportes. Jogo vôlei, jogo basquete, handebol, natação, judô. Tudo de esporte eu amo e adoro. Nunca tive medo de jogar bola. Vivi muito essa parte de criança de interior, jogar bola na rua, brincar de amarelinha, pega-pega, então eu tenho esse sangue de estar no interior, de ir na roça. Brincar com ovelhas, pastorear gado, sempre gostei muito”, relembra Yanne.
A decisão de se tornar goleira não veio de planejamento, mas da oportunidade que encontrou no caminho.
Apoio familiar como sustentação
O sucesso de Yanne passou pela família. Os pais acompanharam cada etapa da trajetória, oferecendo suporte que fez diferença quando as saudades pesavam.
“É muito difícil ficar longe, e, às vezes, a gente pensa se vale a pena. A gente liga para a mãe, tenta não passar que está triste, para não deixar ela triste. Então estar perto, ter este suporte, faz com que a gente supere cada desafio”, conta a goleira.
Experiência internacional e ambições
Aos 22 anos, Yanne já acumula experiência em competições relevantes. Em 2022, integrou o grupo que disputou a Copa do Mundo Sub-20 e conquistou o Sul-Americano pela Seleção Brasileira.
O próximo passo é a Seleção principal. Yanne sabe da concorrência forte para a vaga de goleira, mas prefere focar no que controla: o próprio desempenho no Bahia.
“Estou trabalhando bastante, estou buscando muito evoluir, buscando muito estar preparada. Espero que eu possa ter a oportunidade, fazer a realização de um sonho. Não vai faltar entrega, não vai faltar raça, não vai faltar dedicação”, promete.
A meta vai além da Seleção. Yanne sonha em disputar uma Copa do Mundo com a camisa da Seleção Brasileira principal, conquistar um título mundial. “Tenho o sonho de disputar uma Copa do Mundo com a seleção brasileira principal. Tenho o sonho de conquistar um título mundial. É uma coisa que quero muito. Não vai faltar trabalho da minha parte”, garante a goleira.
Foco na semifinal
O Bahia, clube que Yanne defende desde 2024, vive seu melhor momento na competição. A goleira concentra sua energia naquilo que pode influenciar agora: o desempenho contra o Corinthians.
A preparação segue a mesma rotina de dedicação. Os 2.632 pênaltis treinados em 2026 não são apenas números, mas investimento em cada defesa que possa fazer diferença em campo. Quando a bola for à marca nos próximos dias, Yanne levará consigo toda essa bagagem.
O histórico de especialista em cobranças, o estudo tático, a leitura pessoal e a confiança depositada pelo técnico formam um pacote que a coloca como uma das figuras mais importantes do Bahia nesta semifinal do Brasileiro Feminino.
Perguntas frequentes
Quantas penalidades o Bahia treinou em 2026?
O Bahia treinou 2.632 penalidades somente em 2026, segundo dados divulgados pelo clube. O trabalho inclui análise de adversárias, identificação de padrões de batidas e preparação específica para cada goleira do elenco.
Qual é o histórico de Yanne defendendo pênaltis?
Yanne defendeu três pênaltis na final da Ladies Cup em 2024 contra o Grêmio e também nas quartas de final da Copa do Brasil feminina de 2025 diante do Bragantino. Na semifinal contra o Palmeiras, pegou mais um pênalti na série de cobranças.
Qual é o sonho de Yanne para sua carreira?
Yanne sonha em disputar uma Copa do Mundo com a Seleção Brasileira principal e conquistar um título mundial. Ela já participou da Copa do Mundo Sub-20 em 2022 e conquistou o Sul-Americano naquele ano.