Em resumo
- CBF lança Em Busca da Camisa 1, projeto inédito de captação de goleiras que observará e treinará atletas sub-12, sub-14 e sub-16 em cinco regiões do Brasil.
- Iniciativa vai impactar mais de 1.200 meninas até junho de 2027 e criará banco de talentos nacional sistemático para identificação de futuras goleiras da seleção.
- Projeto tenta resolver escassez histórica de goleiras no futebol feminino causada por falta de investimento na base e competição com vôlei e basquete.
- Primeira edição acontece 30 de outubro a 2 de novembro em São Paulo, com convocação exclusiva de goleiras na Granja Comary depois dos eventos regionais.
Thaís Lima cresceu observando a música e a comida brasileira, ensinadas desde pequena pelo pai. Ainda adolescente, dividindo nacionalidade entre Portugal e Brasil, chamou a atenção da confederação brasileira enquanto era goleira das categorias de base portuguesas. A CBF a identificou durante as observações de talentos e ela iniciou a mudança de federação para servir a seleção feminina. “Desde pequena meu pai sempre me mostrou a comida brasileira, a música, acabei por crescer com isso e escolhi servir o Brasil porque é diferente. O Brasil é o Brasil, país do futebol”, conta Thaís, resumindo uma decisão que ilustra exatamente o que a confederação quer replicar em escala através de um novo programa de abrangência nacional.
Histórias como a de Thaís Lima motivaram a criação de um projeto ambicioso que marca uma mudança de estratégia na confederação. Trata-se do Em Busca da Camisa 1, uma iniciativa inédita para captação de goleiras, que vai recrutar e desenvolver talentos nas cinco regiões do país através de convocações e observações sistemáticas. A primeira edição acontece entre 30 de outubro e 2 de novembro, na Escola de Goleiros Camisa 1, em São Paulo, com parceria da Federação Paulista de Futebol. Após essa etapa, a CBF realizará eventos similares nas demais regiões, seguindo o mesmo modelo de três dias de treinamento e observação.
Edson Junior, preparador de goleiras da seleção brasileira, explica a importância estratégica do projeto: “Esse projeto foi muito sonhado por todos nós. A gente vem pensando em como pensar algo não só para o presente, mas também para o futuro”. A frase resume o objetivo fundamental da iniciativa: funciona como estratégia de longo prazo para reforçar uma posição que historicamente representou ponto fraco do futebol feminino brasileiro, com persistente escassez de opções de qualidade.
Como funciona o programa
Categorias e estrutura regional
O projeto observará e treinará goleiras das categorias sub-12, sub-14 e sub-16, especificamente atletas nascidas entre 2009 e 2015. Cada edição regional contará com três dias de atividades dedicadas à avaliação de aproximadamente 120 jovens goleiras, recrutadas tanto em clubes quanto em projetos sociais. Essa abordagem garante que meninas de diferentes contextos socioeconômicos tenham acesso às mesmas oportunidades de observação e desenvolvimento.
Capacitação de preparadores
Além das atletas, a CBF oferecerá workshops durante os eventos para cerca de 20 preparadores e preparadoras de goleiras, reconhecendo que o desenvolvimento técnico de boas goleiras depende também da qualificação contínua de quem trabalha diretamente na formação. Essas atividades de capacitação criam uma cadeia de melhoria que vai desde a base até as categorias superiores.
Convocação e banco de talentos
Após os eventos regionais, haverá uma convocação exclusiva de goleiras na Granja Comary, o centro de treinamento da confederação. Essa convocação reunirá pelo menos seis goleiras de cada região para período preparatório junto à seleção principal, permitindo que as atletas mais destacadas tenham contato direto com as estruturas profissionais. Os resultados de todas as observações serão registrados em uma base de dados do Departamento de Seleções, criando um banco de talentos nacional que serve como referência permanente para futuras chamadas.
Os desafios históricos da posição
O futebol feminino brasileiro enfrenta dificuldades estruturais na formação de goleiras que vão além de casos individuais. Há falta de investimentos históricos na base e escassez de treinadores qualificados especificamente para a posição, um legado da própria ausência de programas sistemáticos nas décadas anteriores.
Competição com outros esportes
Um dos maiores desafios é captar meninas com as características físicas ideais para a posição. É natural que atletas naturalmente mais altas recebam maior incentivo para jogar vôlei e basquete, esportes que contam com tradição mais consolidada de investimento e maiores promessas de carreira profissional no Brasil. Quando essas meninas potenciais chegam à adolescência e recebem chamadas de federações de vôlei ou confederações de basquete, frequentemente com ofertas de bolsa e perspectivas profissionais mais claras, o futebol feminino perde talentos que poderiam se tornar referências futuras.
Identificação precoce como solução
A posição de goleira requer um conjunto de características físicas e técnicas específicas que as estruturas de base do futebol feminino dificilmente conseguem identificar e desenvolver de forma sistemática. O Em Busca da Camisa 1 tenta romper esse ciclo prejudicial através da observação descentralizada e regional, permitindo que a confederação acesse meninas mais cedo e comece o desenvolvimento técnico antes que outros esportes as recrutem.

Impacto esperado até a Copa de 2027
A CBF trabalha com números ambiciosos para o alcance do projeto. Segundo a confederação, o programa pode impactar mais de 1.200 meninas até junho de 2027, quando a Copa do Mundo Feminina será disputada. Esse número significativo, considerando que abrange sub-12, sub-14 e sub-16 em cinco regiões, assegura que a seleção disporá de um pipeline consistente de goleiras em desenvolvimento durante os próximos anos.
O banco de talentos criado pela iniciativa funciona como ferramenta permanente de identificação. Diferentemente de abordagens pontuais ou baseadas apenas em competições tradicionais, o projeto cria um registro sistemático que permite acompanhar evolução de atletas ao longo do tempo, mesmo que não tenham sido convocadas na primeira seleção de Granja Comary. Isso reduz significativamente a probabilidade de que boas goleiras passem despercebidas nas categorias de base.
Fonte: ge > futebol feminino
Perguntas frequentes
O que é o projeto Em Busca da Camisa 1?
É uma iniciativa inédita da CBF para captação de goleiras que realizará eventos nas cinco regiões do Brasil para observação e treinamento de atletas nas categorias sub-12, sub-14 e sub-16, nascidas entre 2009 e 2015.
Qual é o objetivo do banco de talentos nacional criado pelo projeto?
Os resultados das observações serão registrados em uma base de dados do Departamento de Seleções, permitindo acompanhar a evolução de atletas ao longo do tempo e reduzindo a probabilidade de boas goleiras passarem despercebidas nas categorias de base.
Qual é o impacto esperado do projeto até a Copa de 2027?
A CBF calcula poder impactar mais de 1.200 meninas até junho de 2027, quando será disputada a Copa do Mundo Feminina, assegurando um pipeline consistente de goleiras em desenvolvimento para a seleção.